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sábado, 4 de novembro de 2017

Feira dos pequenos produtores em BH




A Feira já passou, mas como acompanho este grupo achei que devia registrar aqui. E estava linda, com muita coisa legal. Os pequenos produtores organizados em grupos ou em cooperativas estavam, como sempre, resistindo e reafirmando a importância de um alimento produzido de forma agroecológica. A Feira apoia a economia popular e solidária., ideias fundamentais para o fortalecimento do pequeno produtor e dos processos democráticos. 

Então,comprei da Dona Vera um polvilho doce ótimo para fazer tapiocas. Vou postar aqui como faço porque muita gente me pergunta sobre isso, dizendo da dificuldade de hidratar o polvilho. É bem fácil e não tem mistério algum. Na próxima postagem. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Frisante de beterraba e morangos


Há algum tempo estou encantada pelos alimentos fermentados naturalmente. A inspiração vem de todas as partes e de muita gente conhecedora do assunto.

O processo de fermentação acontece quando os alimentos são transformados pela ação de bactérias e leveduras, liberando ácidos acético e lático e realizando outros processos, dependendo do alimento fermentado.

Embora haja um modismo e afirmações do poder milagroso da fermentação natural ela nada mais é que a pré digestão dos alimentos pelas bactérias e leveduras, tornando os nutrientes mais biodisponíveis, produzindo nutrientes adicionais e até mesmo eliminando toxinas dos alimentos (como os fitatos encontrados em todos os cereais, leguminosas, sementes e nozes, o ácido oxálico e o nitrato encontrados nos vegetais). 

Com isso criamos comidas e bebidas bem saborosas. Bem, nem todas. Não tive boa experiência com o chucrute que com aquele cheiro forte do repolho, picante e ácido quase me derrubou. Hoje prefiro fermentar outros alimentos e deixar o repolho, a couve flor e o brócolis para os fortes.

Comprei lá na feira de orgânicos do Instituto Kairós em  Macacos - São Sebastião das Águas Claras/MG - (link na coluna ao lado) a beterraba e como as frutas vermelhas combinam muito bem com ela, resolvi misturar com morangos que havia ganhado e consegui fazer uma bebida fermentada frutada, gaseificada naturalmente, frisante, pouco ácida e bem suave. A receita é simples:

Frisante de beterraba com morangos (orgânicos)
1 copo de beterrabas cruas cortadas em pedaços pequenos (melhor é ralada)
1 copo de morangos cortados e sem os cabinhos
1/3 do copo de algum adoçante ( açucar cristal, mascavo, demerara)
1 colher de sopa de limão 
1 colher de sopa do líquido do keffir de água, soro de yogurte ou kombucha (opcional. Ele irá acelerar o processo)
5 copos de água filtrada ( menos clorada possível)

Juntei tudo em uma vasilha de vidro, louça ou inox de boca larga. Misturei bem com uma colher de inox, tampei a boca do recipiente com um pano limpo e prendi com uma gominha para fechar. Os mosquitinhos adoram esse líquido quando começa a fermentar, então nunca o deixe destampado. Não lacre a boca com tampas que vedam porque essa primeira fermentação necessita de oxigênio.

Deixe em um lugar menos frio da cozinha. Mexa sempre o líquido para que as frutas não permaneçam apenas na superfície e para oxigenar a bebida. No segundo ou terceiro dia, dependendo da temperatura do ambiente, você verá bolinhas brancas na superfície. A fermentação irá aumentar e terá um cheiro adocicado da fruta e da beterraba. O cheiro é bom e nunca desagradável.

A beterraba e o morango perdem a cor, mas podem ser consumidos em sucos e saladas porque ainda estão gostosos. A melhor forma de usar a beterraba para iniciar a fermentação é ralada, aumentando assim a superfície de contato com a água, evitando mofo. Vou ralar na próxima!






Caso não tenha usado o keffir, soro do yogurte nem kombucha a fermentação demora um pouco mais para iniciar. Não se preocupe. Mexa várias vezes por dia e espere.

Depois de cinco dias o líquido estava fermentado e sem bolhas. Coei e acrescentei 5 g de açúcar para cada litro da bebida e engarrafei em garrafas de vidro esterilizada, dessas garrafas de cerveja com tampas que lacram, mas pode ser pet de refrigerante. O açúcar vai manter a fermentação ativa e com a garrafa fechada a bebida que irá carbonatar (produzir gás carbônico) vai ficar frisante. Tampei e deixei a garrafa em temperatura ambiente por 12 horas. Após este tempo guardei na geladeira por 2 dias. Não deixe fora da geladeira sob o risco de explodir.

O mais importante do processo da fermentação natural é a observação. Então observe sempre.

Frisante!


Tim Tim e Saúde!!!




domingo, 9 de outubro de 2016

Conserva de amora



A amoreira, amora preta, black mulberry, persian mulberry, amora de árvore ou conhecida também em por amoreira negra é motivo de alegria aqui do bairro. Só nas ruas mais próximas daqui de casa contei  sete árvores produzindo e sempre com alguém em baixo. 

A espécie mais comum no Brasil é a Morus nigra, cujos frutos são quase negros e o sabor mais ácido. A planta é da família da Moraceae, a mesma da jaqueira ( pode acreditar!!). 
Na medicina chinesa as plantas do gênero Morus são usadas para cura de muitas doenças. No Brasil, há algum tempo, se divulgou bastante o uso das folhas da amoreira para amenizar os sintomas da menopausa. É muito rica em antocianinas ( que evita a produção de radicais livres) e antioxidantes.  Tanto folhas quanto frutas verdes e rosadas são comestíveis após o preparo correto. 

A amora é fruta de origem asiática, mas pode ser encontrada em todo Brasil. Nasce quando quer e onde quer. Sua dispersão é feita pelos passarinhos que também as comem com muita animação fazendo uma algazarra nas árvores e pintando o chão. 

Fomos colher frutas e encontramos algumas maduras, mas a maioria em processo de amadurecimento ainda rosadas. Fiquei pensando em o que fazer com elas  já que estavam um pouco duras, rosadas e ácidas. Procurando receitas aqui e ali achei uma de conserva para comer com saladas. As mais maduras fiz um doce com abacaxi para comer no pão, no sorvete ou com carnes. 

Diariamente passo por duas das árvores e sempre, mas sempre mesmo, tem pés (de gente) embaixo catando uma frutinha. O mais engraçado é que a árvore promove um certo encontro social e adultos e crianças estão sempre conversando e comendo. 
Acho muito divertido!

Doce de abacaxi com amora 
2 xicaras de abacaxi picado
1 xícara de amoras maduras
1 xícara de açucar
1/2 xícara de água
misture todos ingredientes e deixe ferver, mexendo de vez em quando. Deixe o abacaxi desmanchar um pouco até acabar a água da panela. 
Fica um doce mais consistente com mais fibras. 

Conserva de amora (um pouco maduras como as da foto)
1 copo (lagoinha) de amora
1/2 copo de vinagre de maçã ou vinho branco
1/2 copo de água
1 colher (sopa) de açucar
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de especiarias como grãos de coentro, pimenta do reino preta, pimenta rosa, louro, folhas de manjericão e cravo.

Esterilize o vidro com água fervendo e seque no forno. Ferva os ingredientes sem as amoras por 2 minutos. Coloque as amoras sem cabinho e ferva por mais 5 minutos. Desligue e deixe esfriar. Coloque a conserva no vidro e tampe com uma tampa nova (compre tampas novas para vidro em casas de festas).
Conserve na geladeira e use em saladas. 



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Acerola do quintal




A acerola nos quintais do meu bairro estão a todo vapor. E não é que chegou aqui em casa, enviado por uma vizinha, um saquinho cheio delas!!!
Sempre que ganho congelo as frutinhas depois de lavá-las e tenho por um bom tempo. Na hora de usar é só bater no liquidificador congelada mesmo e coar. A cor é linda, o cheiro é delicioso e o sabor é perfumado. 

Fruta poderosa por causa da enorme quantidade de vitamina C, prima da pitanga,  a acerola (Malpighia glabra L) é da família das Mirtáceas. Embora muito bem adaptada em nosso país não é de origem brasileira e sim das Antilhas. Segundo as pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco, a cada 100 gramas de acerola temos 1.000 a 5.000 miligramas de vitamina C. Para comparar com a laranja que a cada 100 gramas temos 50 miligramas de vitamina C. Isso é de 20 a 100 vezes a mais de vitamina.

Então já sabemos: para se ter saúde 10 gramas da frutinha é suficiente, mas como a gente não quer só saúde quer prazer também, um copo bem grande de suco de acerola vai fazer sucesso. 


domingo, 8 de novembro de 2015

Pudim de leite condensado

A minha calda não estava totalmente fria e ficou mais líquida que devia
É engraçado como alguns pratos resistem ao modismo e continuam fazendo muito sucesso. É o caso do pudim de leite condensado que aprendi com Dona Maria no dia que comi o  frango com quiabo feito por ela.

Então, para todos que me pediram a receita:

Pudim de leite condensado
4 ovos
1 lata de leite condensado
1 1/2 lata de leite ( medida da lata de leite condensado)
1 colher rasa (sobremesa) de maisena

para a calda
3 colheres (sopa) de açucar
Nozes ou avelãs picadas grosseiramente (opcional)

Comece pela calda para que dê tempo de esfriar e endurecer. Coloque na forma redonda com cone no meio (a minha mede 20 cm de diâmetro) as colheres de açucar e acenda a chama do fogão. Coloque a forma sobre a chama e derreta o açucar até ficar dourado. Reserve
Cuidado! A forma esquenta bastante.

Passe os ovos inteiros na peneira para tirar aquela membrana. É importante este processo para evitar sabor e cheiro desagradáveis de ovo. Coloque no liquidificador todos os ingredientes e bata até ficar homogêneo.

Despeje a mistura na forma caramelizada. O açucar da forma deve estar frio. Coloque na panela de pressão ( a minha mede 25 cm de diâmetro) 3 copos americanos de água e insira a forma com o pudim.A água deverá ficar no máximo na metade da forma. Feche a tampa e após 15 minutos depois que começar a fazer barulho, deligue. Deixe esfriar sem abrir a tampa. Retire o pudim da panela com cuidado, sem deixar entrar água e coloque na geladeira por no mínimo 1 hora. Depois desse tempo, coloque um prato maior que a forma e que possa receber a calda  e vire o pudim. Coloque as nozes ou as avelãs se quiser. Eu não coloquei. Serve 5 pessoas que gostem de doce.

Muito simples e fácil.





quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Bertalha Couve de Cerca

pezinho de bertalha couve de cerca antes de virar trepadeira

a cerca verde de bertalha do vizinho 

A Bertalha conheço bastante. Tenho comido há tempos e agora ofereço folhinhas cozidas com legumes para a neném. Ela come fazendo hummmmmm!

Das verduras não acho a mais gostosa, mas o sabor terroso e não picante é interessante. É uma planta mucilaginosa ( tem visgo) e quando cortada e refogada faz lembrar o quiabo e o ora-pro-nobis. Por causa disso prefiro comer as folhas cruas na salada, juntamente com outras,  mas pode ser consumida em sopas, suflês, risotos, com ovos pouchê, caldos, bolinhos e até em pães (folhas batidas ou secas e moídas, e acrescentadas à massa ). Suas inflorescências jovens, hastes e os frutos roxinhos são comestíveis. Aliás, a parte carnosa dos pequenos frutos da bertalha possuem a betalaína, uma substância existente em algumas plantas que é atóxica e solúvel em água. Um pigmento poderoso encontrado também na beterraba, na pitaia. e na flor de amaranto que pode ser utilizado para colorir gelatina, agar-agar e doces. Uma hora vou testar.

Encontrei nos livros cinco tipos: Bertalha Coração (Anredera Cordifolia); B. do Cabinho Roxo (Anredera Krapovickasii); B. Manteiga (Anredera Marginata); B. crocante (Anredera Tucumanensis) e a B. Couve de Cerca (Basella Alba). Todas elas são trepadeiras e podem ser encontradas no Brasil. É cultivada na América do Sul, África tropical, Caribe,  Índia, Malásia e Filipinas.

No Brasil nunca encontrei para vender, mas me disseram que no Rio de Janeiro é  bastante consumida. Aqui em BH vejo apenas em quintais como cercas vivas e em pequenas hortas domésticas. A espécie que encontro em um quintal aqui perto é a Bertalha Couve de Cerca, conhecida também por espinafre de malabar, espinafre do ceilão, couve mimosa, folha tartaruga. Apesar do nome popular, com espinafre não parece nada, muito menos com a couve.

Todo ano a cerquinha do quintal do vizinho desaparece embaixo da bertalha e quando ele vai limpar, lá estou eu. Comi uma vez em Salvador/BA um Caruru porreta que além de bertalha levava quiabo, cebola, taioba, capeba, castanha de caju, amendoim, dendê, leite de coco, camarão seco e pimenta, é claro. Acompanhava farinha de mandioca. Um manjar delicioso.

Ainda não fiz o caruru, mas fiz uma salada bem grande juntando muitas folhas diferentes e comi com pão de grãos e omelete de queijo Canastra curado. E como se anda falando aqui em casa: hummmmmmmm estava muito bom!!

Fui buscar bertalha e ganhei alface, almeirão, rúcula e azedinha
para a salada. Hummmmm!!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Mostarda picante feita em casa


sementes de mostarda escura e amarela
Há tempos queria fazer Mostarda para comer com salada, pão, linguiça ou salsicha alemã, mas só encontrava as sementes amarelas. O condimento feito desta mostarda é gostoso também, mas um pouco menos saborosa e mais picante do que o feito com a mostarda escura. Encontrei a semente escura no mercado do Cruzeiro (BH). E por acaso conversei com uma amigo francês que me contou que na França a mostarda é ingrediente tão importante que, em uma determinada época, alguns Reis tinham seu próprio mostardeiro, o que os possibilitava comer esse condimento ao longo de todo ano, além de variá-lo acrescentando outros ingredientes.

Mas procurando vi receitas que acrescentavam aos grãos da mostarda ingredientes variados como alho, pimentas, castanhas e também  misturando os grãos escuros e os amarelos. A receita que usei foi esta.

Mostarda de sementes escuras

3 colheres (sopa) de  grãos escuros de mostarda 
1 colher (sopa) de melaço ( pode ser mel, melado ou até mesmo açucar mascavo)
2 colheres (sopa) de vinagre
1/2 colher (chá) de cúrcuma  (açafrão da terra)
pitada de sal
água para cobrir os grãos

Comece deixando as sementes na água por 24 horas. Se for usar a amarela, deixe 48 horas.
Depois desse tempo, coloque os grãos sem a água em um processador e acrescente os outros ingredientes. Bata somente até quebrar os grãos. Se quiser uma pasta lisa, bata bastante, mas o bonito é deixar os grãozinhos inteiros. Se precisar acrescente uma colher (sopa) de água para ajudar a bater. 

Se gostar muito, mas muito de pimenta, acrescente uma pitada de páprica ou mesmo gotas de malagueta.





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Baru no bolo de chocolate

Finalmente consegui ir ao Mercado Central (BH). Passei por lá umas 4 horas, andando, admirando, cheirando, escolhendo e descobrindo coisas novas.
Fui lá  comprar semente de Baru para fazer um bolo para minha amiga Dani que acaba de voltar ao Brasil, depois de uma pesquisa de Doutorado muito interessante, no Canadá,  sobre Agricultura Urbana.

Sabia que ela ia gostar do bolo "chocolatudo" que aprendi, mas queria usar o Baru ao invés das Nozes Pecan. E parece que acertei o gosto da turma. O bolo na verdade é um brownie e que servi com sorvete de maracujá, que combinou muito bem por conta do ácido da fruta em contraste com o chocolate 54% cacau.

Comprei a castanha de Baru crua  com casca e assei em casa. Dá um cheirinho de amendoim quando está no forno, mas o sabor é bem longe do amendoim. A árvore de Baru (Dipteryx alatana) é nativa do cerrado brasileiro e seu fruto tem uma casca dura e no interior a amêndoa. Lá para os lados de Paracatu MG o chamaram de cumbaru, emburena brava e pau cumaru. Pode ser encontrado em Goiás, Mato Grosso e aqui em Minas. Além da castanha, é possível comer a polpa do fruto que serve para produzir bolos e geléias, além da casca servir como um excelente carvão. Ou seja, a planta tem um grande potencial para uso comercial por agricultores familiares, mas infelizmente encontra-se em extinção porque tem sido retirada, como todo nosso cerrado, para plantação de eucalipto e soja.

árvore de Baru  carregada no cerrado destruído de Paracatu

Baru no pé
 


Para quem quiser ver um belo catálogo do cerrado que mostra o Baru  Brasil no Salone del Gusto - Itália 2008 ou o Slow Food Brasil Fortalezas 

Bolo (brownie) de chocolate com castanha de baru
300g chocolate Meio Amargo 54% cacau
165g manteiga sem sal
5 ovos brancos (250g) em temperatura ambiente
280g açúcar refinado (diminua mais 10% se for usar chocolate com menor quantidade de cacau)
150g farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
150g de castanha de baru assada, sem pele e cortadas ao meio (assei por 25 minutos com casca em forno a 80°C).

Derreter o chocolate e a manteiga em banho maria, sem que a água encoste na panela e sem que o vapor saia, em fogo baixo.
Misturar ovos com açúcar e adicionar à mistura de chocolate, que deve estar em temperatura ambiente (aproximadamente 25°C)
Misturar farinha peneirada, sal e baru delicadamente no chocolate apenas até incorporar. Não misture muito porque não queremos ativar o glúten. O brownie é um bolo um pouco molhadinho por dentro e firme. Perceba que não usei nenhum fermento. É assim mesmo.
Cobrir uma forma de 30 cm (ou aproximada) com papel manteiga e untar levemente com manteiga, colocando a massa sobre ela enquanto ainda estiver quente. A forma tem que ter borda alta porque cresce um pouco. Na minha forma, a massa ocupou 3cm de altura e achei bom. Você pode adicionar à massa uma colher de chá de infusão de baunilha, como eu fiz ou uma dose de café coado forte ou também 30ml de whisky. 

Usei um forno elétrico pequeno e por isso pré aqueci e assei a 100°C por 20 minutos, mas se usar forno comum grande, leve para assar em forno pré aquecido a 170°C por 25 a 35 minutos ou até que o palito saia levemente sujo do centro do bolo.  A massa assada racha por cima e dá um brilho lindo. 

Rende 15 pedaços que somem em 5 minutos




Podem acreditar: não deu tempo de tirar foto!!! Só essa aí do dia seguinte, restos finais, que ficou péssima porque o bolo já não estava em seu estado radiante....Mas garanto que fica lindão e saborossímo!! 







VOLTEI !!!


Estive fora. Fui ali gestar, parir, cuidar...

Apesar de não conseguir escrever, tive muitas experiências culinárias novas, descobertas de alimentos incríveis que vou postar aos poucos aqui.

Esperei a Primavera chegar para florir com ela e voltar.

Flores para comemorar a primavera




terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Munguzá em Cumuruxatiba

Passeando pela Bahia e admirada com as belezas daquela terra fui parar em Cumuruxatiba, distrito de Prado/BA. Segundo a história contada pelas meninazinhas de lá, o nome da cidade em Tupi Guarani significa “a grande diferença entre maré baixa e maré alta”. Isso porque o mar na vazante chega a recuar tanto que podemos caminhar quase 500 metros mar a dentro até encontrar a água.

Terra de Pataxó, povo bonito e aguerrido que, infelizmente, assim como os outros povos indígenas brasileiros, ainda lutam por um pedaço de terra e melhores condições para viverem sua cultura. Senti uma grande saudade de Neti, Divino, Mainã, Tuíra, Gunga, Denga e um monte de outros amigos Pataxós de Carmésia/MG que guardo na lembrança com carinho.

Tivemos sorte de encontrar em Cumuru os Chefs de cozinha Adriano e Nice que, acompanhados de uma equipe muito simpática e bem treinada, cozinharam divinamente os pratos baianos que passamos a comer todos os dias.

à direita os Chefs Adriano e Nice acompanhados da equipe
A mandioca é rainha e está presente em grande parte dos pratos, seja cozida, frita, triturada ou inteira. Mas não é dessa majestade que quero falar agora.

No café da manhã, esta senhorita, representante fiel da mistura bonita que deu nosso povo, me apresentou o Munguzá. Olhei, dei uma cheiradinha para descobrir do que se tratava. Ela então, vendo a minha ignorância disse que era um prato típico da Bahia feito de milho branco.

Ahhhhhhh bom! Porque não me disse antes? É canjica, sô!



Um dia peguei Nice de conversa. Ela me contou como é morar em Cumuru, a luta dos índios Pataxós por terra e dos assentamentos do MST na região, o despreparo dos prefeitos que não investem na estruturação do turismo e nem mesmo na infraestrutura para melhorar as condições de vida dos moradores da cidade. E nesse bate papo chegamos à culinária baiana, famosa no mundo todo pela sua versatilidade e pelos ingredientes típicos que muitos brasileiros ainda desconhecem.

Nice me disse que por lá o Munguzá é feito com coco ralado. Já aqui em Minas Gerais usamos o amendoim torrado e descascado.

O milho é da família Poaceae, assim como trigo, a aveia, o arroz, a cana-de-açucar, o centeio, o sorgo, a cevada e o bambu, que não parece mas é uma gramínea. Importantíssimo para o consumo humano e animal, os vestígios de domesticação do milho encontrados pelos arqueólogos datam de mais de 7.000 anos. Pela idade desse sujeito dá para imaginar a importância que tem em todo o mundo e as inúmeras maneiras de consumo.

O milho branco, esse de fazer canjica, ainda é bastante consumido aqui em Minas na época das festas juninas. No sul de São Paulo, o município de Quadras é considerado a capital do milho branco. Comi canjica também no Paraná. O Munguzá combina bem com as baixas temperaturas do inverno, embora tenha comido no verão da Bahia (suando em bicas! Mas estava uma delícia) 

A receita mineira de canjica é assim:
Serve 5 Porções

Ingredientes
250g de milho para canjica  (½ pacote)
1 litro de água

2 cravos
1 canela em pau pequena
1/2 litro de leite
1 vidro de leite de coco (se gostar)

3 colheres (sopa) de açúcar ou 1 lata de leite condensado (usei açúcar)
½ colher (café) de sal
50g de amendoim torrado, sem casca e levemente triturado

Lave o milho branco e deixe de molho por 4 horas. Na panela de pressão coloque o milho e a água. Se precisar acrescente mais água até a metade dos grãos. Leve ao fogo por 15 minutos. Abra e veja se está macio. Não deve ficar desmanchando, mas já deve estar cozido. Acrescente leite, sal, açucar (ou leite condensado), canela, cravo e amendoim. Se gostar coloque leite de coco. Deixe ferver sem tampar por 10 minutos ou até o caldo engrossar.

O sabor da canjica com amendoim é especial.Eu gosto de comer quente, mas há quem goste dela fria. 


Munguzá - Canjica



O mar de Cumuru: até às 12h ele fica longe.
 Depois volta forte com ondas quentes e  transparentes!



 A Pousada dos Chefs Adriano e Nice é a UAI Brasil!


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

III Encontro de Agrobiodiversidade da AMAU

Vale a pena participar do Encontro da AMAU - Articulação Metropolitana de Agricultura Urbana!
Diversidade de concepções, conhecimentos, práticas, experiências, sabores, cores, além de ser muito divertido.

Compareça.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

É tempo de Jabuticaba: ploquet pluft nhoque!

Olha a preta
colada no tronco
de caroço branco
que a mão do moleque
Olha a preta
de caroço branco
que a mão do moleque
arranca no toque
O que bate na boca
que a jabuticaba
faz ploquet pluft nhoque
Olha o bando
que acode com saco
pedaço de taco
que bate no galho
Olha o bando
que acode com o baque
que bate no galho
que faz plique ploque
Aí depois todo mundo sentado
com o saco do lado
na sombra do pé
Nesse pega, que come, que engole
é que a fruta faz
ploquet pluft nhoque
                               (Dory Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro)
A jabuticaba por aqui é rainha! 
Do pequeno ao grande, todos enchem os olhos quando encontram uma jabuticabeira cheia, o que não é muito difícil porque há árvores em muitos quintais ainda. Lá na cidade histórica de Sabará/MG acontece a festa da jabuticaba e os gostosos produtos produzidos surpreendem os visitantes pela variedade e sabor. 




ao fundo: Jac no ploquet pluft nhoque!

A jabuticabeira é da família das Myrtaceae, a mesma família do jambo, pitanga, goiaba, araçá e do eucalipto e é nativa da Mata Atlântica. Tem várias espécies e acho que a que temos para os lados de cá é a Myrciaria cauliflora. Demora alguns anos para frutificar, mas também quando resolve a gente nem consegue comer tudo.

A casca da pretinha tem alto teor de pectina que é aquele ácido que promove facilmente a geleificação e que pode ser encontrado também na maçã ou em alguns frutos cítricos como na parte branca da laranja. Para se fazer uma boa geleia é preciso que a fruta tenha bastante pectina, senão é necessário acrescentar. Existe a pectina industrial, mas essa não recomendo, já que conseguimos facilmente na maçã. 

A casca da jabu tem antocianina que são pigmentos responsáveis pelas cores das frutas, flores e folhas de algumas plantas e que vão do vermelho ao azul (vermelho-alaranjado, vermelho vivo, roxo, rubi-violácea…) e serve para proteger a planta da luz ultravioleta e atrair os passarinhos, que não são bobos nada e entendem muito de alimentação saudável!! A antocianina é um poderoso antioxidante que provoca efeitos muito positivos no organismo. E por isso recomenda-se comer também umas casquinhas de jabuticaba.

O pé de jabuticaba sempre cria expectativas: primeiro a floração cheirosíssima que a gente sente a quilômetros de distância. Depois as frutinhas verdes que pipocam agarradas ao tronco que em seguida ficam pretas. Aí vem a chuva que afina a casca da fruta. E então, em um dia combinado, vai todo mundo subir no pé e comer jabuticaba. A jabuticaba é motivo para o encontro.

Pois bem: colhida a fruta, parti para a produção de geleia e vinagre.Posto agora a receita da geleia e se o vinagre der certo, coloco a receita depois.

Geleia de jabuticaba
2 quilos de jabuticabas maduras e inteiras
1,5 litro de água
500 g de açúcar (usei açúcar cristal. Sempre penso em 1/3 do açúcar para quantidade do líquido). Mas para quem gosta um pouco mais doce, coloque 600 g de açúcar.

Lave as frutas. Esprema os caroços com a mão. Faça isso antes de começar porque o processo de espremer a casca durante a fervura deixa o líquido mais ácido. Coloque a água e deixe ferver. Logo que ferver, coe. Eu usei um coador com furos maiores, que deixou passar pedaços da fruta. Mas se não quiser é só coar em uma peneira fina.

Volte com o líquido coado para a panela e acrescente o açúcar. Ao ferver, vá retirando a espuma que fica por cima. Não mexa muito para não açucarar. Deixe ferver por aproximadamente 1 hora ou até dar o ponto de geleia que pode ser verificado colocando um pouco de água em uma vasilha e colocando uma colher de chá de geleia. Se ao colocar na água ela não se espalhar totalmente está no ponto. Fiz a geleia mais mole e outra mais dura (1h20 de fogo) para testar os pontos. 

cozimento

ficou foi boa!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Nosso Rico e Destruído cerrado mineiro



Fui convidada por um grupo de arqueólogas para participar de um projeto no Noroeste de Minas. Depois de nove horas de viagem chegamos por lá. A cidade que existe desde 1840 tem um lindo centro histórico com igrejas e algumas casas restauradas. Na região predomina o Cerrado, vegetação típica que, infelizmente, vem sendo destruída desde a época da mineração do ouro até hoje, com as infindáveis plantações de monocultura de eucalipto.

O Cerrado que ocupa mais de 24% do território nacional resiste bravamente e consegue dispersar suas sementes em meio ao eucaliptal. Ali pouca coisa nasce, mas o pequi com suas flores atraem os veados que as saboreiam fazendo cara de estar comendo a melhor coisa do mundo. Os vi mais de uma vez comendo no meio dos eucaliptos.

flor de pequi
Embora seja desolador o que está acontecendo em Minas Gerais, seja pela exploração secular de minério ou pela plantação de monoculturas que destroem totalmente a biodiversidade (lembrando que o cerrado brasileiro abriga cerca de 330 mil espécies de plantas e animais), ainda é possível ver neste bioma o tamanduá bandeira, pássaros coloridos, cobras de várias espécies, coelhos, tatus, insetos enormes e estranhos, além de muitas frutas e flores.

jenipapo

baru 

 cagaiteira com a plantação de eucalipto ao fundo
caixa de abelha

as veredas de Guimarães

buritizeiro
Além de estarmos destruindo toda riqueza que encontramos no cerrado mineiro sem nem ao menos conhecê-la completamente, colocamos em risco as nascentes que abastecem as principais bacias hidrográficas do país e também todas as comunidades que sobrevivem deste bioma. 

essa nasceu no meio da terra dura com cascalho!
demonstração da força da natureza

Sou a favor de um controle rigoroso por parte do Estado e das populações no cumprimento da legislação e também no aumento do número de áreas protegidas.

Quer saber mais sobre o cerrado? veja aqui no blog os sites Cerratinga e Central do Cerrado.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vinagreira é hibisco

Quem vem lá, quem vem lá? Nasceram as sementinhas de Vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.)

Demorou mas finalmente consegui as sementes de hibisco com Dona Júlia que tem aquela linda horta do grupo Frutos da União que fica no Ribeiro de Abreu (já falei aqui). Pedi para um, para outro, mas nunca chegada. Aí Dona Júlia me deu, plantei e nasceu muitas mudinhas de hibisco. 

Ah, que lindo! Ela já nasce com caule e folhas roxos.


A planta tem origem lá pelos lados da Índia, Sudão e Malásia e depois foi trazida para cá. É conhecida aqui por diversos nomes como azedinha, azeda-da-guiné, caruru-azedo, caruru-da-guiné, chá-da-jamaica, pampolha, pampulha, papoula, papoula-de-duas-cores, quiabeiro-azedo, quiabo-azedo, quiabo-de-angola, quiabo-róseo, quiabo-roxo, rosélia e vinagreira. No México é conhecida como Flor da Jamaica, na França como Roselle e no Japão como Umê.

Bastante utilizada na culinária para fabricação de doces, geleias, conservas, sorvetes, bolos, gelatinas, vinagretes, chás e sucos e as folhas para salada. Tradicionalmente é usada como diurética, para tratamento de desordem gastrointestinal, infecções hepáticas, febre e hipertensão e muitos estudos científicos apontam a ação antioxidante da planta. É um arbusto que atinge cerca de 2 a 3m de altura e podem ser usadas folhas, cálices, sementes e as fibras para fazer papel. A flor da vinagreira é amarela-arroxeada. Uma belezura!

Lá no Maranhão a turma faz o arroz de Cuxá, um prato com camarão seco, folhas de vinagreira, gergelim e farinha de mandioca e é bom pra valer! As folhas são azedas, o que confirma um de seus nomes.

Como minhas mudinhas ainda estão crescendo, comprei os cálices desidratados da vinagreira no Mercado Central de BH para fazer experimentos que começaram com a produção da geléia com pedaços.


regalo que dei para Ana Maria de aniversário
e os cálices que comprei no mercado
Geléia de Vinagreira

40g de cálice de vinagreira desidratado
4 copos de água
1 copo de açúcar cristal (180 gr). Usei o açúcar demerara orgânico porque era o que tinha, mas fica igual com o cristal.

Ferva a vinagreira com a água. Assim que soltar bastante cor, coe.
Acrescente o açucar e coloque o líquido em fogo baixo até virar um doce (mais ou menos 15 minutos). Não demore muito senão fica consistente demais. O ponto é quando ainda está líquido, mas não está escorrendo como água. 

Eu utilizei um pouco dos cálices junto com açucar e ficou boa boa boa!!! 

O chá é de uma cor e sabor surpreendentes: rosa escuro e bem azedinho.

chá de hibisco rosado com
biscoitos de côco da Ceci (da Adoro Biscoitos!) com ingredientes naturais.
Nada de conservantes, aromatizantes.
Tem sabor único!
O paninho é lá do mercado de Fortaleza. Proooonnnnnnto!

Vou fazer outras receitas e posto aqui. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pipoca de Milho Crioulo Roxo do Cafezal

Fui a feira de orgânicos da Vila Cafezal em Belo Horizonte/MG e além de comprar verduras e legumes da horta da Associação de Moradores, comprei milho roxo de pipoca. São sementes crioulas chamadas também de tradicionais, selecionadas e mantidas pelos próprios agricultores há várias gerações e que têm uma grande variabilidade genética. Cultivada pelos produtores da agricultura familiar, essas sementes garantem a conservação da biodiversidade porque resgatam variedades em extinção e proporcionam independência ao agricultor em relação às empresas transnacionais produtoras de sementes híbridas. Além disso, comer qualquer coisa sabendo que não é transgênica já é muito bom. Neste caso, além de não ser geneticamente modificada, o milho roxo de pipoca foi cultivado sem agrotóxico.  



Nos países da América Latina como Peru e Bolívia há dezenas de tipos de milho, de todas as cores e tamanhos e que variam também no sabor. Quero saber mesmo é onde estão nossas sementes crioulas de milho? No Brasil há também outras espécies que quase não encontramos mais porque foram extintas e inviabilizadas pela imposição do agronegócio e pela legislação na venda de sementes transgênicas.

Quem me vendeu lá na horta da Vila Cafezal foi Sr. Dorval. A horta é muito bonita e tem a melhor vista da cidade de Belo Horizonte.Quem quiser informação de como adquirir a semente crioula de pipoca de milho  roxo pode entrar em contato com o grupo Aroeira no aroeiraufmg@gmail.com. A produção é pequena e tem venda local e por isso nem sempre tem para vender.

Estou testando a germinação das sementes porque fiquei encantada com a espiga de milho roxo. É linda!

E se você só come pipoca de microondas que vem no saquinho vai adorar essa aqui porque, apesar da pipoca ficar pequena, ela é branquinha e crocante, além de não deixar piruá.

A receita é assim: uma xícara de milho e uma colher de sopa de óleo. Se quiser substitua o óleo pela manteiga. Coloque na pipoqueira ou em alguma panela com tampa e deixe pipocar. Aqui a gente canta a musiquinha “pula pipoca maria pororoca” até parar de pular. A meninada adora, canta junto e depois come com a maior alegria. Quando era criança fazíamos coroas e colares enfiando em uma linha as pipoquinhas. Gostava também de enfeitar as roupas de festa junina com elas. Era uma festa!

Se quiser fazer a pipoca no microondas coloque o milho em uma vasilha com manteiga (não use se quiser mais leve) e tampe. Coloque 2 minutos e depois minuto a minuto até parar de pipocar.
  
Quem quiser ir a horta da Associação de Moradores da Vila Cafezal funciona de segunda a sexta de 6h30 às 9h e de 13h às 17h, na própria Associação ou entre em contato com o Grupo Aroeira. 

Tudo sem agrotóxico !!!






quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Os queijos artesanais de leite cru do Vale do Jequitinhonha/MG

Ontem fui à Degustação de Queijos Artesanais de leite cru do Vale do Jequitinhonha/MG, organizada pelo Convivium Slow Food BH. Muitos tipos de queijos com sabores, formatos, cores e aromas diferentes. Gente bonita e interessada em colaborar para salvaguarda da cultura, dos modos de vida e dos saberes envolvidos na produção de queijos artesanais.

O grupo segue as diretrizes do manifesto do Slow Food Internacional em Defesa dos Queijos de Leite Cru, que tem como objetivo realizar ações de mapeamento, divulgação e salvaguarda dos queijos tradicionais de leite cru brasileiros. (veja mais aqui).

A questão dos queijos produzidos a partir do leite cru (não pasteurizado) é que há uma legislação sanitária  que não permite que eles sejam comercializados fora do Estado produtor, o que limita o crescimento da produção local, a oferta no mercado e a diversidade de produtos oferecidos.

Por isso é tão importante e necessário esse movimento para pressionar uma adequação da legislação que deve criar formas de atender o pequeno produtor, além de oferecer suporte a eles que, embora façam produtos saborosos e tradicionais, precisam ter condição de se adequar, minimamente, às boas práticas de manipulação. Há muito o que se pensar e considerar quando falamos de pequenos produtores no Brasil. Todos sabemos que o agronegócio, as grandes indústrias, as mineradoras, além da inexistência de uma política de desenvolvimento local, ameaçam a relação das comunidades rurais com a terra, com suas tradições e cultura, comprometendo a melhoria de sua qualidade de vida.

Fui convidada pela Bibi que faz doutorado sobre queijos para participar da expedição que mapeou a produção artesanal no Vale do Jequitinhonha, mas infelizmente não pude ir. A expedição viajou 2500 km conversando, provando e fotografando tudo. Trouxeram na mala muitos queijos e muitas lembranças carinhosas dos produtores daquele lugar.

Marcelo Podestà, um dos organizadores do Convivium de BH, falou sobre a proposta do Slow Food, da expedição realizada em Minas e ainda fez uma introdução à degustação dos queijos, com direito a ficha de degustação e dicas de como perceber melhor cada queijo degustado.

E foi assim, entre queijos brancos, marrons, cozidos, acompanhados de mel, melado, farinha de mandioca, derretido, com pães deliciosos (feitos pelos italianos presentes), cachaça, cerveja e com muita conversa e curiosidade que o encontro se deu.  

Se quiser saber mais, entre no site do Slow Food BH aqui no blog.

Bibi apreciando os queijim mineirm




queijo cabacinha
melado, mel, rapadura cachada, doce de amendoim


broinhas e suco de tamarindo. humm muito bom!


Marcelo e Bibi 




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